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Missa Nova do Padre Abel Mateus Ferreira

Foi no passado Domingo, dia 6 de Julho, que o Padre Abel celebrou a sua "Missa Nova" na sua paróquia natal, o Milharado.

Deixamos aqui uma apresentação deste novo sacerdote ao serviço da nossa diocese.

Urgência de Viver

Novembro de '74; dia 10. Uma ambulância cruzava a estrada a caminho do Hospital, fazendo por ultrapassar a urgência de nascer do Abel. Sem sucesso. Nasceu, estavam ainda no Campo Grande. O pai, peremptório, exclamou: "Ou é registado onde nasceu, ou em casa!". Mas quem viria a ser este menino?

Enquanto rapazote, estudou nos Casais da Serra (onde teve catequese), na Malveira, em Loures e, a partir dos 15 anos, em Lisboa. Aí licensiou-se em Contabilidade (no ISCAL), concluindo, posteriormente, uma pós-graduação em Gestão Financeira (no ISG).

No que toca ao seu itinerário crente, o Abel "ainda é do tempo" em que havia que percorrer 12 anos de catequese para receber o crisma. Uma vez crismado passou a ser, ele próprio, catequista. No entanto, a chegada de um padre novo (Paulo Franco) à paróquia trouxe também consigo um desafio reforçado: integrar a equipa que abriria o agrupamento de escuteiros, coisa que exigiria uma grande disponibilidade. Doravante, "ou catequese ou escuteiros". O Padre Paulo optou pela segunda hipótese.

Viver para os outros

O seu percurso vocacional teve como pano-fundo a experiência comunitária do Caminho Neocatecumenal. Porém, houve diversos acontecimentos marcantes que o ajudaram a "identificar" aquele profundo apelo. '99 foi para ele um ano marcante. Em primeiro lugar, arriscou-se numa peregrinação a Santiago de Compostela. Peregrinar há-de ser sempre uma experiência "atrevida": pés moídos, cansaço acumulado, quilómetros estranhados nos músculos, oração e gargalhadas, e silêncio... e mais silêncio. Neste percurso, tudo o que não seja terra, pele, suor, meia dúzia de trapos a fazer de invólucro ambulante, umas páginas mastigadas pelo coração e uns bochechos de comida, sobra. Ora, o Abel trazia consigo 18kg de coisas supostamente importantes, mas irremediavelmente sobejantes... Chegado à catedral, quando procurava aproximar-se da figura do apóstolo S. Tiago, apercebeu-se que não cabia! Fisicamente, era-lhe impossível passar! O caminho servira-lhe para perceber o realismo do alerta de Jesus: "A porta é estreita". Ainda em Santiago, tropeçou na 2ª leitura do ofício de Sta. Mónica, mãe de Sto. Agostinho (um cristão do séc. IV): "Não te preocupes comigo: lembra-te de mim junto do altar de Deus".

No ano seguinte visitou uma monja de Belém (vinda da sua paróquia), num mosteiro em França, que o impressionou. "Como é possível ser-se feliz assim, com tão pouco?", pensou. Esse ano correspondeu, ainda, ao início do estágio de alguns seminaristas na paróquia. Ao trabalhar com eles no agrupamento constatou talvez com alívio... que se tratava de "gente normal". O prior fez-lhe, então, uma provocação: "Queres ir para o seminário?". A ousadia ia-lhe valendo um não menos ousado "sopapo"... No entanto, foi o Abel quem acabou atordoado pela pergunta.

Lentamente, a questão foi amadurecendo. A pretexto de levar umas "sacas de batatas" ao seminário (já que trabalhava numa empresa ligada ao ramo), foi-se aproximando do padre Francisco Inocêncio, então vice-reitor do seminário de Caparide. Das conversas resultou a decisão: "Vou entrar!". Mas, estaria ele certo de que entraria "para ficar"? Não. De todo! Inicialmente, impôs a si mesmo um prazo de 6 meses para esclarecer a questão (supondo ele que ao fim desse tempo estaria já capaz de voltar ao trabalho com a questão resolvida...). A verdade é que, com um ritmo e vida muito acelerado (própria de uma vida laboral cheia, a par de um grande empenho na vida paroquial), e sendo assaltado frequentemente pela ideia "E porque não ser padre?", o Abel sentia-se um pouco "perdido" e a precisar de "repensar a vida". Foi o encontro com a "malta do seminário", em quem descobriu "um grupo de amigos" marcante, que o ajudou a perceber o quanto a ideia de "ser padre" não era passageira. De facto, à medida que o tempo foi passando, e conforme ia aprofundando as relações com os companheiros de seminário (alguns dos quais tendo discernido a vocação não no sentido do sacerdócio mas do matrimónio), viu crescer nele o desejo de "construir a Igreja ao lado deles". A pouco e pouco, o "ser padre" deixou de ser uma questão simplesmente pessoal (para "resolver o meu problema") para ser uma forma de participação na questão do mundo (para "dar o meu contributo na resolução dos problemas do mundo"). Esse desejo de estar ao serviço dos outros traduz-se no desejo de "ser um sinal para a edificação da Igreja", uma Igreja plasmada de rostos concretos, uma Igreja, ainda, que traz consigo o rosto de Cristo a um mundo tão desfigurado...

O que disseram os outros

As reacções foram marcadas por um grande "sentido de humor". Alguns amigos universitários, procurando descortirnar as razões que o levavam a tal "loucura", adiantavam diversas hipóteses: a) "Mudar de casa"; b) "Mudar de trabalho"; c) "Tivera um filho (e queria fugir)"; d) "Farto do trabalho"; e) "Não jogava com o baralho todo". O espanto foi tal, por parte de alguns amigos, que um deles chegou mesmo a "borrar a gravata" durante um almoço, quando lhe ouviu a notícia... Outros houve, porém, que já arriscavam: "Não me digas que vais para padre?".

No emprego, o seu director, ao ouvi-lo, retorquiu: "Se fosse por uma questão de dinheiro, aumentava-o; se fosse por uma questão de satisfação com a área de trabalho, mudava-o para outra área; mas, sendo assim...". Uma colega, cheia de sentido de humor, dizia-lhe: "Se o Dr. Abel vai para padre, eu vou para freira".

A família, essa, acolheu com alguma surpresa a decisão. Afinal, o nosso Abel já estava "lançado na vida"... Perguntavam-lhe, inicialmente: "Se era isso que querias, porque é que não foste há mais tempo?". Porém, depressa passou o choque inicial.

Fonte: Shema - Folha informativa das Paróquias do Milharado, Vila Franca do Rosário e Gradil

Ano Paulino

No próximo dia 29 de Junho, Solenidade de São Pedro e São Paulo, inicia-se um "Ano Paulino" que procura celebrar os 2000 anos do nascimento de São Paulo.

Clique aqui para ver a Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa sobre o Ano Paulino.

Para mais informações consulte o site do Vaticano dedicado ao Ano Paulino.

Carta Pastoral do Cardeal Patriarca à Igreja de Lisboa

Foi no passado dia 18 de Maio de 2008 que o Cardeal Patriarca de Lisboa divulgou uma Carta Pastoral para a Diocese de Lisboa reunida em São Vicente de Fora a celebrar o Dia da Igreja Diocesana.

Clique aqui para ver a Carta Pastoral do Cardeal Patriarca à Igreja de Lisboa.

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